Formals e as luzes na árvore

agosto 7, 2009

Numa rua, logo ao lado do céu de luzes de Natal onde os dois voaram:

- Você ainda lembra?
- Do quê?

Tudo ainda estava lá, a um relance de distância. Tão longe porém quanto você pode estar de si mesmo.

- Ah, foi tão engraçado!
- É mesmo…
- O sentimento!
- Por que foi assim mesmo?
- Poxa…

Como se sabe, os dois estavam tão ligados quanto duas pessoas poderiam estar. Mas não se viam: escondiam-se. E tentavam ser, mas eram o que já haviam sido. Muitas vezes só se é o que já se foi. Esses dois eram assim. Mesmo assim, eles voaram.

- Você ainda vê a mágica?
- Onde você vê mágica?
- A mágica…
- A mágica era aquela pequena lâmpada verde!
- Talvez…
- A mágica era aquela estrada nos galhos d´árvore.
- Seja o que não vemos.

E assim chegou-se a uma conclusão. Sempre se conclui sobre fatos. E fatos são idéias distorcidas. Sonhos amórficos que, por algum motivo, saíram de onde estavam. Fatos são acidentes. E, como se diz, acidentes acontecem.

- E se tivéssemos feito?
- A gente nunca consegue fazer…
- É, mas a gente podia ter tentado diferente dessa vez. A gente podia ter tocado nela.
- Talvez se tivéssemos tocado.
- É, tudo ia ser muito diferente.
- Mas a gente não tocou.
- A gente poderia ficar no chão, ficar na cama, em vez de voar na árvore iluminada.
- É, seria muito bom.
- Pela primeira vez daria certo!
- Mas a gente não se tocou.

Afinal, o que não existe é o que mais preocupa. Não os fatos — os fatos estão lá. Tudo pode acontecer. Tudo está para acontecer. O céu iluminado por luzes natalinas fora de época na árvore era tão belo através daquela janela enevoada. Tudo estava a um toque de distância. Eles podiam fazer mais do que voar.

Tudo podia acontecer, mas o nada foi muito mais forte.

Degrees (ou Graus)

junho 22, 2009
Anders Celsius

Anders Celsius

No Brasil, exceto pelas placas que indicam hora e clima espalhadas pelo Rio, nunca iríamos nos perguntar algo como “quantos graus está fazendo hoje?”. É algo que não faz diferença em nossas vidas: ou está frio ou está calor (quando não está “fresco”). Aqui no Canadá, porém, essa questão pode ser crucial.

Poderia citar aqui os invernos nocivos em que a pele de um desprevenido pode congelar em minutos. Como cheguei no início da Primavera, porém, vou discorrer apenas sobre a grande utilidade das medidas climáticas no cotidiano.

Mentira, não vou falar sobre isso não. É muito chato. Basta falar que toda hora há uma pessoa falando “ah, hoje tá 15 graus! Mas que beleza!” ou “opa, o Verão chegou! 20 e poucos graus!”, agora no Verão.

Comportamentos como este mostram o quão trivial se tornou a (obsessiva) organização do país, quase como uma reação natural e de certa forma necessária à vida no topo do Planeta. Mas isso é assunto para outra hora.

Sufoco – Banff Parte Final

maio 15, 2009

O segundo dia esquiando, diferente do que eu pensava, não foi mais fácil do que o primeiro. Comecei junto de meu tio em algumas pistas do nível azul e verde (são 4 níveis, listados em ordem de dificuldade: green circle, blue square, black diamond e double black diamond). As pistas green circle não eram tão difíceis, mas as blue square tinham alguns bumps, descidas mais íngrimes e obstáculos naturais mais complicados para um iniciante. Então caí algumas vezes, o que não foi exatamente um problema, pois neve não é concreto. Mas sempre acaba sendo um pouco frustrante.

Mapa de Sunshine Village

Clique para ampliar

Tudo bem, tudo feliz, meu tio foi encontrar com os amigos e eu fiquei esquiando sozinho. Repeti as pistas que eu estava acostumado e tentei algumas novas. Estava dominando-as bem. Até que, numa das viagens de teleférico rumo ao começo da pista Strawberry, sentei com uma americana também iniciante que me indicou uma outra pista, mais alta do que a que eu estava: o Mount Standish. Como em todo monte (ou pista), há vários caminhos a serem percorridos, de diferentes níveis de dificuldade. E a senhora disse que havia um green circle no Mount Standish que era bem tranquilo.

Mt. Standish - Mapa

Mt. Standish - Mapa

Interessado em novos desafios e vistas, subi o monte supracitado. No topo, dei uma olhada no mapa para saber o caminho que eu deveria percorrer (também indicado por placas). Era um caminho que ia percorrendo todo o canto esquerdo da pista geral. Então eu fui. Estava muito tranquilo, amplo e agradável, quando eu me desviei um pouco da lateral da parte sinalizada como verde e passei a não conseguir avistar placa nenhuma. Continuei descendo, porque subir é algo realmente cansativo e complicado numa montanha nevada. Vi uma placa azul e pensei: “ah, tudo bem… azul é difícil pra mim mas dá para tentar”. Foi quando perdi o controle da velocidade, tomei um tombo e fui parar numa área em que a neve era muito profunda. Isto é, a neve cobria pelo menos até meu joelho, o que já me deixou preocupado em relação à existência de partes ocas no chão. Entretanto, ainda podia ver a pista de eu onde estava, então continuei a caminhar com as pranchas na mão, com muita dificuldade, cuidado e calor por causa da balaclava (toca para o rosto inteiro). Pois bem, cheguei a pista. Exausto e ofegante, continuei por um caminho que passava muito perto de uma reserva de água toda coberta por neve, mas já visivelmente descongelada por dentro, uma vez que havia um tipo de torneira artificial jogando água por um buraco na neve e uma placa advertindo sobre o perigo. Essa proximidade de uma reserva de água era tensão suficiente para tirar os óculos de ski alaranjados e a parte que tampava a boca da balaclava, por mais que isso não implicasse nenhuma lógica real.

Eis que a próxima placa que eu vejo é uma Black Diamond. Só pensei uma coisa: “FODEU!”. Não tinha para onde fugir. Eu estava numa imensidão branca e, principalmente, íngrime. Pensei então: “ah, eu vou conseguir. Meus primos conseguem algumas, eu também vou”. Comecei a descer. O começo não era difícil, mas, se tivesse alguém comigo, essa pessoa poderia ver o terror em meus olhos. Desci até chegar numa parte íngrime e com bumps para todo lado. Parei e pensei. Desci freiando muito até que caí e continuei descendo com o esqui na mão e muita cautela.

Pude continuar normalmente por alguns segundos quando encontrei uma descida in-sa-na. As pessoas que passavam por mim (adultos que provavelmente sabiam o que estavam fazendo) paravam diante da descida e faziam algum comentário animado de surpresa. Eu, com tanto pavor em minha mente, no máximo balbuciava frases disconexas como “I’m green circle, I’m a beginner”. Um longo período de poucos minutos de indecisão se passaram até que eu cheguei a óbvia conclusão de que não havia o que fazer: eu tinha que descer. E desci. Sentado, quase deitado e tentando manter as botas o mais perpendicular possível em relação à descida.

Lake Louise (verão)

Lake Louise (verão)

Cheguei na base com uma sensação de alívio indescritível. Aquela era a última parte do percurso. Depois tentei diversas outras vezes a mesma pista, do Mount Standish, agora seguindo rigorosamente as belas plaquinhas com bolinhas verdes. E era realmente uma pista muito boa para iniciantes — que seguiam à risca a parte green circle.

Terminei o dia descendo uma pista que ia desde a base da Sunshine Village até a entrada do parque, onde os carros ficavam estacionados. Era o caminho alternativo ao uso das duas gôndolas, assim o mais longo e um dos mais prazerosos.

Sobre o Lk. Louise

Sobre o Lk. Louise

No terceiro dia de esqui, já com algumas dores musculares notáveis, fomos esquiar na montanha perto do Lake Louise. No geral, apesar do meu tio discordar, achei os percursos mais difíceis e menos variados do que em Sunshine Village. Era só uma descida com vários caminhos. Consegui, porém, achar uma pista bem tranquila onde pude passar boa parte do dia. Passei alguns sufocos quando entrava no caminho errado e noutro momento em que começou a nevar intensamente e meus óculos embassaram com o calor de minha face. Assim, tinha que tirá-los toda hora para limpar, o que era muito difícil e funcionava insuficientemente, pois não tinha um pano apropriado e a os flocos eram incessantes.

É o tipo de coisa que me fez pensar: “que porra eu estou fazendo no meio dessa montanha gelada e íngrime, em cima de duas pranchinhas?”. Mas a vista extraordinária, a sensação de deslizar em um colosso albino e coisas simples como conseguir fazer curvas tranquilamente em boa velocidade dão uma resposta mais do que satisfatória a esse questionamento.

463b44e6

Oceano – Banff Parte III

maio 13, 2009

Farto e andando como o Robocop por causa das botas, pegamos nossos esquis e fomos dar continuidade à aula.

Jackrabbit de verdade

Jackrabbit de verdade

Iríamos descer a primeira pista de verdade, a Jackrabbit. Tudo começou relativamente bem, até que eu perdi o controle do freio e comecei a ir MUITO rápido. Entrei em desespero e pulei do esqui (a segunda coisa mais sensata a se fazer, depois de não entrar em desespero), que destrava as botas automaticamente. Muito se passa pela cabeça quando estamos em cima de um esqui desgovernado, como bater de cara nas árvores, nas pessoas ou apenas cair e sair rolando sem parar. Nada disso aconteceu, então recoloquei as pranchas e continuei, com mais incentivo psicológico do instrutor.

No final do dia, após várias tentativas e já dominando melhor (não necessariamente bem) as curvas, fomos descer um longo percurso, que foi certamente um dos passeios mais bonitos de minha vida. Tudo correu bem. A descida não era tão inclinada, não havia “bumps” (morrinhos que dificultam muito no meio das descidas mais íngrimes) e a paisagem era majestosa. Ah, a paisagem! Uma das mais belas que já vi. Parecia um oceano branco e com curvas que se erguiam imponentemente sem fim no horizonte. Como disse meu tio, “por mais que tentemos, não dá para descrever. É quase como ver o mar pela primeira vez”.

Dólares Canadenses

Dólares Canadenses

Foi a última descida do dia e a última descida com um instrutor profissional, que recomendou que eu fizesse pelo menos mais meio dia de aula para ganhar mais auto-confiança. Não precisava. Depois daquele passeio eu me sentia tão bem que as quedas valiam a pena. E, claro, não queria gastar mais 140 dólares canadenses¹, podendo gastar cerca de setenta nos próximos dias.

Cheguei à nossa dormida exausto. E com um bem estar reconfortante. É como voltar de um longo dia na praia, que parece drenar nossas energias. Meu primo e prima íam sair com os Dizzars, mas eu não aguentaria, ainda mais considerando o dia seguinte. Tomei um banho e fui para a cama pelas 20h ouvir um pouco de música e relaxar. Pode parecer exagero, mas quando eu fechava os olhos, sentia quase fisicamente como se estivesse deslizando na neve com o esqui. É incrível como uma sensação pode ficar gravada de forma tão tátil em nossa mente. Acabei dormindo e acordei pelas 4 da manhã, voltando a dormir novamente. Fazia tempo que não descansava tão bem.

IMG_9775 modified
(Continua…)

¹ não consigo lembrar quanto custou, exatamente.

Vê – Banff Parte II

maio 13, 2009

Sunshine Village

Subimos por duas gôndolas até chegarmos na parte principal da Sunshine Village. Não consigo achar comparações

Gôndolas

Gôndolas

estéticas para o local. Era uma base plana onde havia algumas construções separadas que alojavam um bar, um local para aluguel de equipamentos, um centro de alimentação com lojinha de souvenirs, uma filial da Starbucks e uma área de recreação para crianças bem pequenas. Mas a utilidade maior dessa base era possuir os diversos teleféricos, de onde podia-se partir para diversos pontos mais altos da cadeia de montanhas que serviam como pistas de esquiagem e snowboarding.

Rapidamente descobrimos onde eu deveria ir e, depois de conhecer meu instrutor, meu tio foi esquiar com os amigos com quem havia combinado. O nome do meu professor de esqui era Daniel. Apresentando-se como francês (aqui no Canadá as pessoas tem esse problema com a nacionalidade, mas outra hora falo sobre isso), o canadense parecia ser muito simpático e espirituoso. Fui apresentado também a meus dois companheiros de aula, um casal espanhol de meia idade em Lua de Mel que já tinham uma pequena mas insuficiente experiência com esquis.

Base Central

Base Central

Com os equipamentos adquiridos e ajustados, começamos nossa aula com um pouco de teoria e fomos levados a uma pequena ladeira a qual chamam de Bunny Hill. Subíamos numa espécie de esteira e descíamos conforme as instruções. O que não era tão fácil e mecânico como a frase anterior. Não conseguia acreditar em como uma ladeirinha ínfima, que parecia feita para crianças, era tão difícil. Aliás, muitas crianças de aproximadamente cinco anos estavam era nas descidas de verdade.

“Tudo está na cabeça e o ‘V’ é a chave para o controle”, “sinta seus esquis deslizarem, ouçam seu som”. Com estas e muitas outras frases, nosso instrutor mais parecia um psicólogo ou mesmo um guia espiritual. Sempre que podia, contava histórias sobre como a mente está por trás de tudo e como um monge certa vez conseguiu imprimir sua mão em uma pedra apenas concentrando-se e acreditando que seria possível.

V

V

Com a repetição do esforço, comecei a dominar um pouco mais o esqui. Mas ainda estava complicado estabilizar o “V”, que consiste em girar levemente os pés para dentro, formando uma seta para frente e, assim, freiar. Tendo aprendido — mais ou menos — o movimento para reduzir a velocidade, quase me surpreendi ao lembrar que ainda precisaria aprender a fazer curvas, que consistem na mudança de peso entre as pernas durante o “V”.

Descer a pequena Bunny Hill dava trabalho e, junto com as preparações, tomou toda nossa manhã. Demos então uma pausa para comer e descansar em torno do meio dia. O banquete era excelente: almoço muito váriado, refrigerantes, sobremesas variadas e chocolate quente com chantilly (tudo incluído no preço) fizeram o dia ainda melhor.

hotchocolate
(Continua…)

Hidratante – Banff Bônus

maio 12, 2009
Mãos de um Lutador

Mãos de um Lutador

Hidratante era uma palavra que no meu “dicionário brasileiro” significava algo próximo a “frescura”. Diante do clima totalmente seco do Canadá, porém, precisei rever este conceito. Após voltar de Banff, a pele que cobre minha falange proximal do dedo mínimo direito estava ficando arroxeada e rachada, de tão seca. Usando uma pomada muito eficaz, minha mão, que já começava a arder, ficou bem melhor. Mesmo assim, depois de um tempo sem usar, a pele começou a secar novamente. Mas agora já está normal.

Danificada mas sorridente

Danificada mas sorridente

Springbreak – Banff Parte I

maio 12, 2009

Cerca de uma semana após minha chegada no Canadá (24 de Março?), se iniciaria o que aqui chamam de springbreak. Springbreak é no calendário estudantil local um tipo de férias de primavera: os alunos de todo o país têm de uma a duas semanas de recessão escolar na mudança de estação.

Resultado do Google Imagens para Springbreak

Resultado do Google Imagens para Springbreak

Sem sequer cogitar a possibilidade de fazer mais uma longa viagem depois das quase 24 horas pulando de aeroporto em aeroporto, ouvi meus familiares planejando nossa ida a Banff, onde há diversas pistas de esqui. Estava incrédulo sobre a diversão que o passeio poderia me proporcionar, então apenas aceitei a iminente jornada sobre quatro rodas.
IMG_9717 modifiedComeçamos a viagem numa segunda-feira à noite e chegamos em Banff, cerca de 1500 quilômetros de distância de Winnipeg, no início da tarde de terça. Pouco antes de chegarmos no hotel em Regina, onde pernoitamos, minha tia advertiu-me sobre a necessidade de usar creme hidratante na mão. Segui o conselho uma ou duas vezes e logo abstive-me do cuidado, considerando-o uma frescura.Hempire

Continuando a viagem, chegamos em Banff numa linda tarde ensolarada, porém levemente fria devido a sua posição próxima ao noroeste do Canadá e seus 1383 metros de altitude. Logo que chegamos, meu primo falou que a cidade era conhecida também pela porção de seus habitantes que seguem um estilo de vida muito peculiar, dedicando-se ao esqui e a vida “cannabiana”. Pude perceber pelas ruas que muitas pessoas confirmavam o esteriótipo, exibindo longos (e loiros) dreadlocks e roupas bem relaxadas.

Meus familiares foram alugar equipamentos de esqui, comprar alguns alimentos básicos e depois fomos nos acomodar no lodge (hotel disposto em casinhas de madeiras com cerca de quatro apartamentos em cada uma), onde fomos convidados pela Família Deezar para jantar. Os filhos dos Deezars também estudam no St. Paul’s e estavam coincidentemente hospedados no mesmo lugar que a gente.

Dia em que chegamos

Acordei no dia seguinte bastante entusiasmado em relação à minha aula de esqui. Tomamos um café da manhã reforçado e saímos em torno das oito ou nove horas de casa, preparados para um dia na Sunshine Village, um centro dedicado à prática de esqui e snowboarding. Chegando na base da montanha, meus primos e tio compraram seus passes e eu comprei meu passe diferenciado, que incluía instrutor, equipamentos e almoço. Toda a infraestrutura era muito organizado e bonito. Então, pegamos a gôndola para subir a montanha e encontrar com meu ainda desconhecido professor de esqui.

Base da Sunshine Village

Base da Sunshine Village

(Continua…)

Futebol

abril 28, 2009

Falarei agora sobre o significado de futebol no Dicionário Canadense. Sim, fui jogar o esporte mais emocionante do mundo aqui, na terra onde cu de bêbado fica tragicamente congelado.

Futebol CA
Sabia que não iria encontrar exímios dominadores da Arte da Bola, mas o que vi foi muito aquém das minhas expectativas, que não estavam tão baixas porque meus primos disseram que aqui o esporte competitivo é muito forte.

Os jogadores são fortes. São rápidos. Mas provavelmente não conhecem as expressões “domínio de bola” e “driblar”. Como meninas parrudas — e provavelmente peludas –, assim que recebem a bola dão alguns passos em linha reta e chutam-na para o local mais próximo ao companheiro de time, que, aos trancos e empurrões, disputam a posse da bola. Fazendo justiça, tinha um (um!) jogador que sabia “fazer a finta” e carregar a bola bem. Para a grande maioria, porém, faltava calma e coordenação motora.

male-soccer-player-of-year-modified-modified

Contudo, foi uma experiência interessante. Infelizmente, tive que faltar segundo dia de try out (espécie de seleção para ver quem vai poder treinar com o time da escola), encerrando assim minha carreira no futebol canadense.

Mas teve um bom motivo! Fui me inscrever no curso “The Basic Filmmaking Workshop”, do Winnipeg Film Group, cujas aulas começam em maio.

EEVPM

abril 23, 2009

Para os que não sabem, estou participando de aulas na St. Paul’s High School como estudante-visitante. É uma escola jesuíta só para meninos. A intenção é diminuir a distração dos alunos, o que pode até fazer sentido em muitos casos. Além do que, é uma prática comum à maioria das escolas particulares do Canadá, até onde eu pude perceber. Para mim, todavia, é uma grande diferença cultural. Mas não é a única.

Huhuhuhu
A primeira coisa a se notar é, obviamente, a quantidades de homens por metro quadrado do ambiente estudantil. Outra peculiaridade é a rigidez da instituição sobre diversos padrões, como o “código de vestimenta” (terno e gravata), os horários, a restrição a faltas (algo que eu não conseguiria cumprir), etc. Há também caixas de som por toda parte que servem para avisos por microfone e para, todo dia antes do início das atividades escolares, serem executados o hino nacional e a uma oração. Momento este um tanto constrangedor, pois tem-se de ficar parado onde estiver, quando é iniciado o hino.

Apesar de todas estes costumes da escola, é um pensamento, cada vez mais trivial em minha mente, que me impressiona: “esse é viado…”. Pela recorrência da frase ecoando em minhas idéia, criei a medida E.É.V.P.M. (para quantidade de pensamentos “Esse É Viado” Por Minuto).
casal-gay-3-modified1

Abraços por trás, abraço por trás andando, chegar o rosto a menos de um palmo de distância do companheiro e outras belas demonstrações de afeto pelo toque fazem parte do cotidiano da garotada. Além daqueles que já trazem consigo trejeitos mais efeminados.

Que fique claro: eu não tenho absolutamente nada contra e até tenho vários amigos argentinos.

Tim Hortons

abril 22, 2009
Consumidores felizes e orgulhosos

Consumidores felizes e orgulhosos

O segundo verbete do meu Dicionário é: Tim Hortons.

Os pedaços secretos dos Donuts

Os pedaços secretos dos Donuts

Foi o primeiro estabelecimento alimentício ao qual eu fui apresentado por meu primo e tia, ainda no aeroporto. É uma lanchonete de fast-food que vende diversos tipos de donuts, muffins e pequenos bolinhos chamados timbits. Tudo muito doce, gorduroso e algumas coisas até muito gostosas. Há também alguns sanduíches (pouquíssimas opções vegetarianas), mas nenhum hambúrguer.

O grande chamariz da empresa, no entanto, é seu café. Ao apresentar-me à dita grande rede, meus familiares já alertaram que a tal “especialidade” parecia água suja com açúcar, devido à falta de sabor e pouca concentração. Pensei que estivessem exagerando, até o dia em que, ao ir assistir um jogo de hóquei (sobre o qual falarei depois), provei o dito cujo. Eu peguei a menor porção (300ml) e esperava pelo menos algo parecido com o café do McDonald’s, no Brasil. Mas o troço era realmente água com açúcar. Que coisa horrível aquilo.

Curioso é que ir a um Tim Hortons comer uns donuts e tomar um café é costume recorrente entre os canadenses — se já não é motivo de orgulho.  Aí eu penso: “ah, eles não sabem como é no Brasil! Lá isso é tão mais saboroso”. Mas eu já pensei sobre tantas coisas que nem vale a pena pensar nisso.


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.